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sábado, 9 de julho de 2011

presença é fundamental

    A era cibernética transformou a sociedade moderna, mas paradoxalmente, ao contrario do que parece, na era virtual, a presença física do outro é ainda mais fundamental. Pesquisas mostram que contrariamente ao que muitos pensam, os navegadores da internet esta associando cada vez mais a vida virtual com relacionamentos e com a necessidade de estar presente fisicamente com o outro. Este fato relativiza as críticas morais afirmando que o WWW estaria destruindo o mundo e principalmente a cabeça dos jovens conduzindo-os a um estado de aprisionamento social narcista e emburrecedor. 
    Na mesma vertente, podemos citar da repetitiva pergunta se é possível fazer uma analise por Skype, ou serviço semelhante, sem ter de se preocupar com o terrível transito das grandes cidades, bem como ter seu analista a mão, ou melhor, na tela entre um mergulho e outro, em uma ilha paradisíaca, do outro lado do mundo. Não dá! Há um quê na presença física que é insubstituível. E se dizemos "um quê" é exatamente pelo fato de não podermos precisar o que é isso da presença física que não sabemos traduzir em nenhum idioma e por nenhum meio, razão pela qual não a podemos substituir, pois, como celebrou Michel Foucault: " a palavra é a morte da coisa": se falamos de algo, substituímos o algo pela palavra e não precisamos dele.
    Em um mundo que quebrou os paradigmas de espaço e tempo com a globalização e avanço tecnológico ilimitando sem fronteiras as formas de comunicação, nao há nada a estranhar a necessidade da presença física do outro, do corpo do outro, calor, tato, cor, som, movimento, olhar que nao sabemos traduzir em bytes. Esse enigma do outro é o remédio para angustia tão atual, por nos termos visto transformar em habitantes de lugar nenhum.
    A presença do outro nos remete ao mais essencial de nós mesmos. se fossemos honestos, parodiando Vinícios, jamais diríamos expressões "como no meu íntimo". E isso porque o que nos escapa é exatamente o nosso intimo. Podemos nos livrar de varias coisas na vida, mas não da gente mesmo, em especial desse ponto íntimo desconhecido, promotor de nossas paixões, essa força estranha vivida na sensação do "mais forte que eu". A presença física do amigo, amado, família, do próximo em geral, nos reconecta com esse ponto fundamental, ancora de nossas existências, ponto transcendente de nossa imanência.
    Nesse mundo aparente "tudo pode", e de "em tudo estou", não por isso devemos nos assustar que ao lado do aumento dos acessos aos meios virtuais, vejamos crescer em paralelo aos lugares de encontro físico, sejam eles igrejas, consultórios, bares etc. Os motivos são variados e o que neles se realiza, também, mas a necessidade é uma só: estar junto. Na era pós-modernidade, onde o laço social das identificações é predominantemente horizontal, nos damos conta que o principal afeto, o mais fundamental afeto, é o da amizade. cada pessoa precisa de alguém que a ajude a chamar seu êxtimo, de meu intimo.

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